Como somos do rock paulera, um dos moleques representava a gangue vestido de uma camisa do Ramones, não era uma camisa ideal para um dia de praia levando em conta o calor infernal que faria dentro daqueles panos, mas o mais importante é sempre representar.
Então cerca de 6 moleques partiram à pedaladas em direção ao que prometia ser um grande role, com o Charlie Brown e Gabriel pensador (especificamente a musica: Solitário surfista) tocando no radio e conversas despreocupadas que rolava entre eles.
Chegando na praia o cheiro de água salgada e o vento que vinha do mar atingiu-os de maneira agradável trazendo junto uma sensação de liberdade que apenas o encontro com o mar poderia proporcionar. A vida fluía dentro deles.
Era obviamente o melhor momento para fumar um marlboro.
Um dos presentes, que não é propriamente um integrante da banca sacou seu maço de cigarros e começou a fumar tranquilamente enquanto o restante tirava as roupas e corria para a água. Era sempre assim. Pessoas normais entram lentamente na água, jogam água na nuca, nos braços, se adaptam lentamente a temperatura da água e então mergulham. Mas nunca dissemos que somos normais.
Antes de entrar na água tínhamos um ritual que jamais irei citar aqui. Jamais mesmo. Mas realizamos esse ritual e então corríamos retardadamente em direção a água e nos jogávamos, sempre conscientes do gelo que água estaria.
Fomos surpreendidos com uma temperatura realmente agradável, o que tornava a dor do choque térmico inexistente.
Depois disso era diversão. Pegávamos jacarézinho, plantávamos bananeira e inventávamos qualquer coisa que nos divertisse no mar. Que saudades.
Mas aquele dia também foi um dia de guerra entre homem e natureza.
Em um determinado momento, enquanto um dos presentes pegava um jacarézinho (pra quem não sabe é quando se mergulha na água a favor da onda dando um barato sinistro) a onda com toda sua fúria o lançou diretamente com a cara na areia, transformando-o com algo parecido com o Fred Gruguer.
A preocupação da banca em relação ao companheiro acabou antes mesmo de começar. Rimos por tanto tempo que não seria possível contar.
_o que irei contar pro meu pai?
Era essa a única pergunta em que a resposta importava para aquele pobre rapaz naquele momento. Lamentável.
Depois de um tempo começou uma outra guerra. Guerra entre homem e homem.
Uma pessoa que não me lembro quem se retirou um pouco do grupo e se agachou próximo a areia, havia um divertimento cruel em seus olhos, um sorriso feroz e atentado. Ele começou a pegar areia com as mãos, molha-la com agua e então houve a primeira bomba. Lançou aquela bomba (que inclusive, arde pra caralho) de areia em outra pessoa que também não me lembro quem era.
A guerra estava formada, não haviam times, em um momento eram dois grupos, em outro era cada um por si.
Mas a banca também consegue ser cruel de maneira indescritível.
Havíamos separados dois grupos na guerra e o "cara ralada" estava obviamente em um deles. Como se não bastasse seu rosto estar completamente desfigurado armamos algo realmente maligno contra ele e num certo momento, quando ele menos imaginava, todos viramos contra ele e o bombardeamos com nossas bolas de areia. Foi bem cuzão da nossa parte, admito. Mas valeu a pena.
O "cara ralada" fez questão de tirar foto de seu rosto para mostrar que o acidente tinha sido coisa séria. No dia seguinte, já na escola, ele mostrou em seu próprio celular a foto, já que não queria que ninguém a tivesse já que poderíamos zoar com ele posteriormente. No entanto, naquele momento, alguém teve a ideia
Mas ele sabe que tudo isso não passa de brincadeira. Sabe né?
PS: O cara ralada passou uma semana usando maquiagem. A prova disso é que um dia depois de ter
PS2: Ele ter usado maquiagem também foi motivo de bullying.
PS3: O tal fumante de marlboro, é tão viciado, que praticou esportes fumando.

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