Banca na faculdade (LADO R)

by 21:02 0 comentários
   Tente imaginar um grupo de garotos que resolve ir prestar vestibular para uma faculdade que fica a mais de 10hs de viagem de sua cidade. Onde eles vão ter que alugar uma casa, sem mesmo conhecer qualquer morador da cidade para onde vão, e tem no máximo uma semana para fazerem isso. Isso é fácil de imaginar, mas não chega nem perto de tudo o que aconteceu. Um final de semana foi suficiente  para muita coisa. Creio que você não imaginaria nem metade das coisas que sucederam nessa viagem. O começo já parece ser bem retardado. Precisamos ficar algum tempo lá, por conta da distância não possibilitar que nós fossemos e voltássemos no dia da prova, então conseguimos estadia em dois dos campos da faculdade, que no caso, eram internatos.
   Nós somávamos seis, sendo que dois foram para Hortolândia, cidade próxima de Campinas, e três foram um pouco mais longe, para Engenheiro Coelho, cidade onde ficava a faculdade do vestibular e vizinha de Limeira - que era onde nós pretendíamos morar - e outro foi para a casa de um familiar. Antes de irmos, procuramos opções de casas que nós pudéssemos alugar, casas que ficassem não tão longe da faculdade e que tivessem um bom preço. Tarefa complicada! Pois a casa também precisaria ter um bom espaço para acomodar os 6. Por fim, depois de uma minuciosa busca, selecionamos as casas, anotamos o endereço das imobiliárias, juntamos o dinheiro (que por sinal foi de maneira surpreendente levando em conta o valor e o tempo disponível) e partimos.
   Na rodoviária todo mundo estava empolgado, sonhando com a nova vida, ansiosos pela viagem, pela prova e por conhecer a nova cidade em que passaríamos um bom tempo de nossas vidas. Porém, o destino trollou um dos moleques fazendo com que esquecesse os documentos, sorte que isso foi antes de o ônibus chegar e deu tempo para que sua mãe lhe trouxesse o que estava faltando (o que também rendeu uma bela musica com o nome da mãe do tal moleque). Subiram no ônibus e a conversa tinha ar de saudade, todos preparadíssimos para ficarem por lá, apesar de ainda terem que esperar o resultado do vestibular e precisar voltar para casa nesse meio tempo.
   Na estrada, um caminhão de laranja tomba pouco a frente e então foi necessário um certo tempo para que a pista fosse liberada, numa serra onde só se vê árvores e um abismo quase infinito ao lado esquerdo. Com tudo indo perfeitamente bem (ou quase), chegamos ilesos na rodoviária de Sorocaba - nossa primeira parada -. Vale lembrar que a coxinha na rodoviária de Sorocaba custa R$5,00 (mais fácil comprar uma galinha caipira), não tem lugar para sentar e no ônibus sempre vai aparecer um surdo te oferecendo uma boneca de pano e uma caneta, em troca de uma ajudinha.
   Em Campinas houve a primeira separação, três foram para Engenheiro Coelho, dois foram para Hortolândia e um ficou em Campinas mesmo.
Depois de vários incidentes aleatórios que foram citados no post "lado A", a banca foi visitar as casas que seriam sua possível moradia num futuro que nunca chegou.
   Ao chegar na imobiliária e dar o código das casas que queríamos visitar, a atendente (que não me lembro do rosto e muito menos o nome, mas que não foi nem um pouco simpática) jogou as chaves das casas para nós e pediu o rg do único maior de idade ali presente em troca, que poderíamos resgatar mais tarde devolvendo as chaves.
Se vocês não entenderam vou deixar bem claro.
   Nós havíamos deixado obvio que não conhecíamos porra nenhuma da cidade e a mulher simplesmente joga a chave de 3 casas em 3 bairros diferentes da cidade e foda-se. Sim, ela disse "foda-se" quase literalmente para a Banca.
   Mas destemidos que somos, fomos em busca do nosso lar para a visita.
   É simplesmente impossível contar quantas vezes nos perdemos no trajeto, sem levar em conta que eram horas de caminhada e a única coisa que tínhamos era um papel indicando:
   - Siga pela direita 2 quarteirões;
   - Atravesse a rua, vire a esquerda e ande 5 quarteirões.
   Coisas nesse tipo. Se me recordo jogamos fora o papel e pegamos um taxi (inclusive acho que tem nego devendo pra algum outro nego por ter pago a corrida).
   Em resumo, posso dizer que não, não levou em nada essa viagem, não deu certo o plano de morar em limeira e não fomos estudar lá naquela faculdade.
   Mas uma coisa eu digo com toda a certeza do mundo e que justifica todo o tempo gasto para escrever este texto: foi uma das viagens mais bugadas e divertidas da historia da Banca. É uma história que não será apagada da nossa memória e que sem sombra de duvidas deixou marcas e ensinou lições pra cada um de nós.
   Toda experiência de vida traz um ensinamento, já dizia um certo alguém.
  E como dizia nosso grande amigo et. Bilu:
"Buisq coinhecimento"
PS "Rafael, você está bem?" "(vomitão)"
PS2 Uúuuu
PS3 Teologandos bebem bastante Todinho, por isso nunca dormem
PS4 Não tem

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